Tim dos Xutos: o tema "Avé Maria é provocador e até espetacular"
Banda celebra 45 anos de carreira com concerto no Queimódromo do Porto neste sábado.
Os Xutos & Pontapés terminam a digressão de “Vida Malvada” neste sábado, no Queimódromo do Porto, no dia de aniversário do seu carismático fundador, Zé Pedro.
Há alguns meses, a propósito dos 50 anos do 25 de Abril, entrevistei uma série de músicos nacionais que tinham espírito de intervenção, para o podcast documental de 11 episódios “Canta Liberdade”.
Tim foi um dos músicos que escolhi entrevistar. Os 45 anos de "vida malvada" dos Xutos sempre se fizeram de um forte espírito de consciência socio-política, bem traduzida nas letras de Tim. Os Xutos nunca tiveram medo de dizerem o que pensavam.
Publicamos agora a entrevista quase na íntegra, onde se fala de muitas das canções que os Xutos têm tocado este ano e que vão levar ao Parque da Cidade – convertido em Queimódromo.
Mais do que uma oração rock, o 'Avé Maria' é uma provocação?
Sim, esse tema sempre foi uma provocação, digamos, a uma crença, a crença da Nossa Senhora de Fátima, a crença enraizada na cultura portuguesa da época: como é que uma crença da igreja, onde as pessoas iam à missa todos os domingos e pensavam e acreditavam perfeitamente que a sua fé ia salvar a sua vida e tinham um comportamento no dia-a-dia que era completamente dominado por essa coisa escura de uma fé de um Deus que não gosta de ti e por aí fora. Realmente havia essa provocação de se poder tocar uma música num tema que era muito querido aos portugueses, que era exatamente a Nossa Senhora de Fátima e o 13 de Maio, os Três Pastorinhos e por aí fora, de uma forma agressiva e até espetacular - essa parte ainda era a melhor. Porque quando começou esta Ave Maria, ainda o Zé Leonel cantava. Ele ia buscar uma écharpe e embrulhava-se nela. Estamos a falar de 1979 e 1980. Ele era uma pessoa que podia pintar os olhos, os lábios, podia fazer uma maquilhagem. Era realmente provocador. E o tema começou por ser isso tudo.
Lembras-te como é que nasceu o tema?
Foi num ensaio. Nós na altura não tínhamos sala de ensaio própria e andávamos ensaiar em vários sítios de Lisboa. Normalmente eram dois. Foi numa delas, no Alto São João, onde os amplificadores estavam todos quitados. Nós púnhamos no máximo e aquilo só dava até o 3 para não incomodar o prédio. E aí estávamos a experimentar e acho que até estávamos à espera do Zé Leonel, já com o Francis. Estávamos a aquecer. A música vive muito de uma situação de tensão em que estamos só numa nota e que depois explode para uma parte diferente maior onde depois levou coros, por aí fora. Nós estávamos a tocar ao estilo do metal. E o Zé Leonel entra por cima daquela coisa que estava a acontecer, e começa a dizer o Ave Maria e a cantar aquela coisa do 13 de Maio. Era um tema que se ouvia, e acho que se ainda ouve, e por tudo que é aldeia, nos sinos, nos megafones.
O 'Avé Maria' era um momento especial nos concertos dos Xutos, num ambiente endiabrado. Era uma declaração de fé dos fãs, mas à própria banda.
O Avé Maria é um tema que quando gravámos [no álbum de estreia, “1978-1982”] já era idoso. Estava na banda praticamente desde sempre. E era um tema que sempre foi aproveitado pela banda para dar alguma espetacularidade, com o Zé Leonel a fazer as suas performances, depois com os solos do Francis e depois com as habilidades do Zé Pedro. Com o crescimento da banda, com a espetacularidade das luzes e disto e daquilo, foi um tema que a banda aproveitou para se transcender um bocadinho.
Nunca tocaram essa música com o terço?
Acho que o Zé Leonel usou. Demos poucos concertos com ele, não sei se um total de 12, ou 10. Ele não era um cantor na verdadeira aceção da palavra, era um frontman e, portanto, aproveitava o Ave Maria e mais um outro tema para fazer as suas habilidades. Podia destruir um gravador, rezar, fazer acrobacias com a namorada, por aí fora.
E vocês tiveram problemas com alguma instituição religiosa por causa dessa canção?
Não, só tivemos problemas com a Rádio Renascença. Eu acho que a Renascença tinha saído da fase revolucionária. A Renascença foi das primeiras rádios a ser ocupadas e durante um tempo curto, teve uma orientação, digamos, progressista ou de esquerda, o que tu quiseres, que depois foi retomada pela igreja e depois a coisa que começou a piar mais fininho. Sei disso porque fiz lá um estágio durante uns meses e apercebi-me desse ambiente. Nos estúdios da Rádio Renascença, havia crucifixos pendurados. Só faltava ter a fotografia do Papa. O ambiente era esse, havia alguma inclinação religiosa.
É engraçado porque no álbum “Puro” [2014], vocês voltam a Fátima, n’‘O Milagre de Fátima’, numa música punk em que são ainda mais contundentes.
Esse é um tema rápido, fácil e direto, com poucas peças. Essa música nasce no funeral da irmã Lúcia. Eu estava em casa com o meu mais velho, que na altura devia ter 12 ou 15 anos. Estava a dar a transmissão em direto do funeral da irmã Lúcia, e o Sebastião passa por nós, olha para a televisão e canta: “Ninguém pára a irmã Lúcia, ninguém pára a irmã Lúcia olé ó”, assim uma coisa dessas. E aproveitámos esse bocadito para depois começar a desfiar o rosário das velas que se derretem e que se tornam a vender. Pronto, toda aquela teatralidade da fé que ali existe em Fátima. Não é que nós tenhamos alguma coisa contra a fé. Em relação à exploração da fé, a coisa já é um bocadinho diferente. E depois quando a exploração da fé é feita mesmo à séria, como é feita ali no Santuário.
É enorme aquele parque mariano.
Sim, e é bonito, tem coisas bonitas, e eu digo: tem alguma presença mural, tem um bocadinho do Muro de Berlim, tem isto, tem aquilo. E tem uma basílica, um parque para 500 mil pessoas. O lugar é capaz de ter alguma coisa em especial, que as pessoas realmente procuram, isso não se pode negar.
No 'Esquadrão da Morte', falas de quem?
O Esquadrão da Morte tem a ver com o que se viveu na América Latina, especialmente. Tem a ver com as perseguições e com os assassinatos encomendados. Nas ditaduras, tanto na brasileira como na argentina, havia esquadrões da polícia, que devido à sua orientação política e devido aos seus superiores, executavam pessoas. Portanto, marcavam-nas e matavam-nas. Começou por ser um meio político: agora é este, depois o outro. E de repente aquilo descambou. Esses esquadrões da morte faziam a limpeza. Portanto, apanhavam não sei quantos. Chamavam a perua ou a ramona, um carro de polícia onde enfiavam não sei quantos vagabundos lá para dentro e levavam-nos para um sítio qualquer e despachavam-nos. E depois isso continuou para depois para outra música nossa dos anos 90, que é o ‘Outro País’, em que continua essa cultura da mortandade, em que pura e simplesmente se abate. Eu conheci essa malta da rua quando estive no Rio de Janeiro e em São Paulo, não era que convivesse com eles, mas viam-se, era frequente vê-los. Portanto, para terem ideia, em vez de verem sem-abrigo, como aqui em Lisboa, vê-se um bando de crianças entre 7 e 12 anos, todos encolhidos e juntos num cantinho. A dita ramona enfiava os que podia lá para dentro, alguns fugiam, e matava e limpava o pelo a 2 ou 3 e pronto. E assim iam mantendo a cidade debaixo de controle. O Esquadrão da Morte é sobre isso e depois tem continuidade no ‘Outro País’.
O Zé Pedro gostava de falar um pouco antes de tocarem o 'Esquadrão do Morte'.
Isso tem a ver com os FP-25. Nós vínhamos dos anos 70, em que apareceram na Europa uma série de movimentos de libertação, movimentos revolucionários ou movimentos de luta armada, principalmente na Alemanha, na Itália, na Irlanda, na Grécia também. Normalmente tinham uma filosofia sangrenta, tanto eram pessoas que acreditavam na luta armada, em pôr bombas, nessas coisas todas. Aliás, um dos primeiros temas que nós tivemos, que não foi gravado, chamava-se Guerrilheiro Urbano. Havia outro que se chamava Cão, Polícia, Cão. Tinha a ver com o que se passava nesses países, e depois cá também com os FP-25, um bocadinho à portuguesa. O Zé Pedro gostava de se manifestar, de dizer que se estava contra o sistema vigente ou o sistema policial vigente. Porque realmente, nesses anos anos 70 finais, mesmo assim, ainda se vivia debaixo de uma moral, de uma ética, de uma política muito à anos 50. E em Portugal também. Eram sociedades muito fechadas. Lembro-me perfeitamente de ouvir a minha mãe e mais uma série de pessoas que a pior coisa que se podia fazer era o que é que os outros pessoas iam dizer. Parecia que todos se vigiavam uns aos outros e vivia-se naquela coisa falsa dos bons costumes, disto e daquilo. Esta manifestação pelos movimentos de luta armada dentro da Europa - que não seriam também flor que se cheirasse, mas pronto - era uma maneira de se posicionar contra o status quo.
Uma das declarações do Zé Pedro sobre os FP-25 está registada no álbum ao vivo no Rock Rendez Vous.
Tanto o Zé Pedro, como o Zé Leonel eram apoiantes do Otelo [Saraiva de Carvalho]. Eram tempos um bocadinho mais extremados, se calhar. Não sei.
O ‘Sai para a Rua’ é um empurrão para o ativismo?
Sim. Avançamos cinco ou seis anos em relação aos temas que estávamos a falar, do final dos anos 70 até 85/86, quando aparece o Spectrum. É quando a malta começa a ficar em casa a jogar e que começa a ficar embrulhada num mundo mais fechado, com um bocadinho de drogas à mistura e com um grupo de amigos mais reduzido e a coisa começa a ficar um bocado interior e eu vivi esse tempo também. Ou seja, eu vivi o anterior e vi outros amigos mais novos que eu, como o João Cabeleira, por exemplo, a entrarem por esse mundo fora, que era um mundo onde as pessoas já se estavam um bocado a borrifar. Enquanto no anterior, em que se estava a falar do Zé Pedro a dizer isto e aquilo, e de uma vontade de expressão, de fazer a diferença, de se marcar um discurso, de ter uma posição, no ‘No Future’ que veio a seguir com o Joy Division, aquela coisa toda que foi um pouco depois do punk, aparece esse movimento do borrifanço: “vamos todos morrer e portanto, o que me interessa é os próximos 5 minutos”. Os jovens que eu conhecia começaram a ter uma posição muito mais interior. Portanto, não sei se posso explicar isto, mas pronto, a roupa passou a ser mesmo negra, os sobretudos e um certo cinzentismo instalaram-se. As pessoas achavam que não ia haver salvação possível para a humanidade. O que interessava era tu viveres a tua vida e teres mais-valias interiores e de pensamento. Deixou de haver solidariedade, deixou de haver uma série de coisas de fora. E o Sai para a Rua tinha a ver com isso: tentar incentivar aqueles que estavam a ficar em casa a tentar viver a experiência da rua.
O ‘Homem do Leme’ e o ‘Remar Remar’ são temas de maior abstração poética. São canções permeáveis a serem mais politizáveis?
O Homem de Leme, como canção de sucesso, fica sujeita à politização e à apropriação. Claro que fica bem aparecer um líder político qualquer, num comício qualquer, a subir para o palanque e para o seu banquinho. As pessoas a porem a tocar o Homem do Leme e qualquer coisa ao estilo do Vangelis para aquilo ficar grandioso. Em termos estritamente de letra, acho que ela pode ir para o lado do que se falou do “Sai para a Rua”, ou de coisas dessas. Também é uma letra dessa altura, mais “no future”. Mas é, como tu disseste, mais abstrata do que isso. Se quiserem pegar nela, podem pegar, e se calhar conseguem. Mas quando a fiz, era um bocado mais abstrata, era aquela ideia de sair, de não ter medo de sair pela noite fora.
O ‘Remar Remar’ tem uma letra ainda mais abstrata. Tem a ver com a malta a lutar contra a adição. Os mares convulsos, essas coisas, é tudo dentro de ti e são todas as coisas que te prendem. A canção ‘Remar Remar’ foi escrita um pouco antes. Foi escrita um pouco antes e tinha a ver com a malta que estava a começar a sentir o que era estar realmente agarrado à heroína. Portanto, tinha havido uns meses, um ano, talvez, onde a euforia se tinha instalado e, portanto, estavam-se a começar a sentir o custo dessa altura em pá. Nem sei dizer quantos, mas talvez mais de vinte pessoas que eu conhecia estavam quase à vez a tentar sair, a não conseguir, as vidas delas a mudarem. De repente, estavam a vender sapatos, e tudo tudo e mais alguma coisa. E o Remar Remar tinha a ver com essa luta quase impossível que eles estavam a ter, muitas vezes impossível, de se libertar porque não havia as ajudas que hoje há. Depois apareceram com a metadona, os apoios psicológicos.
1984-95 foi um período em que houve grandes vagas de heroína, não foi?
Sim, sim. Foi terrível. E em Portugal sentiu-se muito isso. Houve uma substituição. Depois do 25 de abril, com os retornados, com isso tudo, houve uma libertação para as drogas leves e depois rapidamente a malta do guito, do negócio, substituiu-as assim que pôde pelas drogas duras, que rendiam muito mais dinheiro. E pronto, assim foi.
Nos temas ‘Dia de S. Receber’ e ‘Fim do Mês’, há uma preocupação em comum, que é o trabalhador que quase não vive, só sobrevive.
Sim. Isso é curioso, são temas dos anos 90, já vai mais adiante. As preocupações passaram a ser outras. Nunca percebi porque é que uma hora de trabalho em Espanha vale sempre mais dinheiro que uma hora de trabalho em Portugal. E se tanto eles eram coitadinhos, pobrezinhos, que uma peseta só valia 500 tostões, e o que um gajo comprava era tudo mau, o café era mau. De repente, eles têm mais valor do que nós, porquê? E nós ficamos na mesma. Essas músicas aparecem mais ou menos lógicas. Ou seja, o mês é sempre mais comprido do que o ordenado. Pior ainda, os meses sucedem-se e os ordenados encolhem. Quer dizer, a coisa ainda vai ficando pior. Isto é o ‘Fim do Mês. E depois instala-se a cultura do Dia de São Receber. Que é, já que é tão pouco, olha o gajo gasta tudo num dia, faço aqui uma festa e depois olha, o resto do mês é sempre a esticar. Acho que sempre que se tentar uma qualquer mais-valia para os trabalhadores, alguém vai arranjar maneira desse dinheiro não chegar lá. Têm tudo na mão. Imagina que baixam os impostos e as firmas fazem mais dinheiro. Mas tu acreditas que esse dinheiro vai para o bolso do empregado? Não vai de certeza? Pode ser um bocadito, não é? Lá no Natal, dão uma garrafinha de vinho branco.
Que temas de intervenção te marcaram e porquê?
Houve vários. No 25 de Abril, eu tinha 14 anos, já ouvia música. Entre os 12, 13 anos, já só ouvia música. Era o universo do Festival da Canção, do Paulo de Carvalho, da Tonicha, dessa malta toda. E não desfazendo, era um universo onírico, uma coisa lindíssima, com orquestras e lindos vestidos. Não estou a falar da qualidade das músicas, não é por aí. Só estou a falar dessa coisa lindíssima e cor-de-rosa que havia. E de um dia para o outro, com o 25 de Abril, nós somos confrontados com uma outra música completamente diferente, que fala de coisas completamente diferentes, com estruturas completamente diferentes, onde os lindos vestidos são substituídos por uns gajos barbudos de óculos, com umas camisas, a tocar uma viola e chega perfeitamente. Dentro desse espírito, um bocadinho antes, cronologicamente, aquela que me marcou mais foi a ‘Pedra Filosofal’ [cantada por Manuel Freire]. Era uma canção que passou pela censura. E de repente tinha uma mensagem de que toda a gente falava à boca fechada e que foi uma canção que entrou lá em casa pela forma normal, que era um single, e que se podia ouvir.
Depois, para vocês terem ideia, eu só tive o [álbum de José Afonso] Cantigas de Maio em 1975, portanto, dois anos ou três depois dele sair. Tive-o pelo Círculo de Leitores.
Antes do 25 de Abril, como eu não tinha acesso a discos, e o que se ouvia na telefonia era censurado, quem aprendia a tocar guitarra e a cantar, podia ter a sorte de aprender alguns temas do Zeca Afonso, sem nunca o ter ouvido, como o Vejam Bem. O que era engraçado.
A nível de rock de intervenção, ou com mensagem mais social ou sociopolítica, há alguma canção que te tenha impressionado? Eras um grande fã dos Police.
Eu ia mais para os Clash. Mais fácil. Gang of Four, também. Até mesmo o Psychedelic Furs com o ‘President Gas’. Havia ainda os Devo e até os B-52s. Havia uma série de coisas disfarçadas de pop, coisas que são muito, muito interventivas. Dizem muito mais do que certas canções que se dizem de intervenção ou que se propõem como tal. Achava muito engraçado essas coisas, como o ‘Rock Lobster’. Quando apareceu a música mais falada, o rap, eu já não conseguia acompanhar por causa dessa dimensão do eu. O eu isto, o eu aquilo. Comecei a desligar do discurso por causa disso.
Lembras-te bem do 25 de Abril? O que é que estavas a fazer nesse dia?
Sim, lembro-me bem dessa quinta-feira meio chuvosa, meio cinzenta. A manhã estava cinzenta. Eu vivia em Almada e bateram à nossa porta às sete e pouco da manhã. Um primo afastado que vivia perto de nós e que trabalhava nos correios no Terreiro de Paço [em Lisboa, junto ao Rio Tejo], e que não tinha apanhado o barco por um motivo qualquer. E voltou para casa e, conforme voltou para casa, foi bater à nossa porta a dizer: “há aqui qualquer coisa acontecer”. Dali até às 9, coisa que o valha, ficámos um bocado em suspense sobre o que ia acontecer. A seguir, começa a surgir a informação na rádio. Só lá para o final do dia é que [a Revolução dos Cravos] apareceu na televisão. Não sendo revolucionários, nem nada que se parecesse lá em casa, havia sempre uns zumzuns de que a coisa ia mudar.
Celebraste o 25 de Abril em Almada, então?
Celebrei mais o 1º de Maio, que foi grande em Almada também, e depois celebrei o 11 de março, que também se passou em Almada, no Forte. Também fomos lá para o Forte. No 25 de Novembro, íamos em passeio de família e fomos apanhados na estrada pelas brigadas. Ficámos não sei quanto tempo nas filas, à espera de ser revistados.
