Estudantes transformam óculos da Meta em dispositivo que descobre informação sobre estranhos em segundos
AnhPhu Nguyen e Caine Ardayfio montaram um programa de computador capaz de vasculhar a Internet em busca de informações pessoais apenas a partir de uma fotografia ou fotograma de um vídeo. Depois, recebem essa informação no telemóvel numa questão de segundos.
Dois estudantes da universidade de Harvard transformaram um par de óculos da gigante tecnológica Meta, dona do Facebook e Instagram, num dispositivo que consegue descobrir informações sobre qualquer pessoa com quem se cruzem na rua numa questão de segundos.
AnhPhu Nguyen e Caine Ardayfio chamaram a este projeto "I-XRAY" e foram os próprios que o divulgaram nas redes sociais, acabando por captar a atenção de publicações tecnológicas como a 404 Media.
Os óculos da Meta - construídos em parceria com a Ray-Ban - são uma adaptação tecnológica das armações clássicas da marca: têm câmaras nos cantos superiores das lentes e são capazes de transmitir em direto para as redes sociais. E é precisamente aí que começa a adaptação.
Are we ready for a world where our data is exposed at a glance? @CaineArdayfio and I offer an answer to protect yourself here:https://t.co/LhxModhDpk pic.twitter.com/Oo35TxBNtD
— AnhPhu Nguyen (@AnhPhuNguyen1) September 30, 2024
No vídeo que a dupla publicou nas redes sociais, Nguyen explica que fazem "um direto dos óculos para o Instagram" e que têm "um outro programa de computador a ver esse direto".
"Usamos inteligência artificial para detetar quando estamos a olhar para a cara de uma pessoa e, depois, vasculhamos a internet para encontrar mais fotografias dela", continua o estudante.
Reunida essa informação, o programa usa "artigos online e bases de dados eleitorais para descobrir o nome, número de telemóvel, morada e nomes dos familiares da pessoa".
"Depois é tudo enviado para uma aplicação no nosso telemóvel", conclui, no vídeo em que é possível ver o telemóvel dos criadores a receber esta informação em tempo real.
Na exposição que fazem nas redes sociais, Nguyen e Ardayfio confrontam várias pessoas na rua com informações que acabaram de saber sobre estas, seja o nome, a carreira ou até o nome de familiares.
Num dos casos, numa estação de metro, olham para uma mulher por alguns segundos e, depois de receberem no telemóvel todos os dados pessoais, dirigem-se a esta como se a conhecessem.
"Desculpe, é a Betsy? Acho que nos conhecemos na Cambridge Community Foundation", diz um dos estudantes, utilizando informação que tinha acabado de recolher. A mulher, embora confusa, acaba por levantar-se para cumprimentar o par.
Também numa estação de metro, encontram um homem - "Vishit" - e aproximam-se deste com uma dúvida sobre se "trabalha com minorias muçulmanas na Índia", uma informação que o surpreendido acaba por confirmar.
Ainda assim, no mesmo vídeo, os estudantes mostram que o programa não é infalível, falhando o nome de pelo menos uma pessoa. Por outro lado, descobre numa questão de segundos a morada, nomes dos pais e antigos fotografias do ensino médio de vários estudantes universitários com quem se cruzam.
Confrontada com esta utilização dos óculos, a Meta respondeu a sites como o The Verge ou a Sky News que os óculos não têm software de reconhecimento facial, que devem ser utilizados de acordo com boas práticas sociais e que têm uma luz visível quando estão em modo de gravação.
Os dois estudantes recusam divulgar o código do programa que criaram por acreditarem que é demasiado perigoso.
"O propósito desta ferramenta não é o mau uso e não a vamos publicar", escrevem no documento do projeto, acrescentando conselhos e formas de cada pessoa remover do domínio público informações como as que utilizam.
