Chumbada segunda moção de censura ao Governo em menos de duas semanas

    Votos contra de PSD, IL e CDS, aliados à abstenção do PS e Chega, inviabilizaram a iniciativa.

    A moção de censura ao Governo apresentada pelo PCP foi esta quarta-feira chumbada pelos partidos na Assembleia da República com os votos contra de PSD, IL e CDS, abstenção do PS e Chega e votos a favor do próprio PCP, do BE, do Livre e do PAN.

    A moção de censura debatida esta tarde foi a segunda ao Governo de Luís Montenegro que a Assembleia da República debateu e votou em menos de duas semanas tendo em conta que, em 21 de fevereiro, foi discutida uma do Chega, chumbada com os votos contra de todos os partidos, com exceção do PCP (que se absteve) e do proponente, que votou favoravelmente.

    Caso a moção de censura fosse aprovada, implicaria a demissão do Governo.

    A moção, com o título “Travar a degradação nacional, por uma política alternativa de progresso e de desenvolvimento”, foi anunciada pelo PCP após o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter feito uma declaração ao país no sábado à noite na qual admitiu avançar com uma moção de confiança ao Governo se os partidos da oposição não esclarecessem se consideram que o executivo “dispõe de condições para continuar a executar” o seu programa.

    Montenegro fez esta declaração após ter sido noticiado pelo semanário Expresso que a empresa Spinumviva - até sábado detida pela sua mulher, com quem é casado em comunhão de adquiridos, e filhos -, recebe uma avença mensal de 4500 euros do grupo Solverde, que representou como advogado antes de ser presidente do PSD.

    No texto da moção de censura, o PCP defende que “a sucessão de factos que se acumulam envolvendo membros do Governo e o próprio primeiro-ministro - sem novos elementos que dissipem ou sanem factos que continuem por esclarecer - não são obra do acaso”.