PJ faz 75 buscas por compra de bens públicos incluindo no Banco de Portugal

    Os alvos das buscas são entidades com ligações ao Estado e o Ministério da Justiça já confirmou as ações.

    A Polícia Judiciária faz esta quinta-feira buscas em entidades como o Banco de Portugal, EPAL, Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), Balcão Único do Prédio (BUPi) e a Secretaria-Geral do Ministério da Justiça.

    O Ministério da Justiça confirmou a realização de buscas na secretaria-geral, no (IRN) e no BUPi, acrescentando que a ministra já pediu informações às entidades visadas.

    "A ministra da Justiça, surpreendida com as notícias desta manhã sobre buscas a organismos do Ministério, pediu às eventuais entidades visadas um reporte factual sobre as operações inspetivas, determinando que seja prestado todo o apoio necessário aos inspetores", reagiu, por escrito, fonte do gabinete de Rita Alarcão Júdice.

    Em declaração enviada à Lusa, o IRN confirmou a presença do Ministério Público e da Polícia Judiciária nas suas instalações esta manhã, no Campus de Justiça, em Lisboa.

    “A ação teve como objetivo a recolha de informação relacionada com procedimentos de contratação pública. No âmbito desta operação, a Polícia Judiciária procedeu à recolha de documentação e equipamentos informáticos nas instalações do IRN. O IRN reitera o seu compromisso com a transparência e a legalidade, mantendo total disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes no apuramento de todos os factos”, declarou o organismo.

    Em comunicado, a Polícia Judiciária adianta que se tratam de 75 mandados de busca, com as diligências a acontecerem em Lisboa, Porto e Braga, não estando em causa decisores políticos, mas sim funcionários dos respetivos organismos. 

    A investigação centra-se na compra de equipamentos tecnológicos entre 2017 e 2025, existindo a suspeita de viciação de concursos públicos de 17 milhões de euros. 

    Os crimes associados a esta buscas são: participação económica em negócio, acesso ilegítimo com violação de confidencialidade, de abuso de poder, corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos, falsidade informática, fraude na obtenção de subsídio, fraude fiscal qualificada, tráfico de influência, associação criminosa e ainda do crime de branqueamento.

    Nestas buscas estão mais de 200 inspetores da PJ, juízes e magistrados do Ministério Público, com o inquérito a estar em segredo de justiça. 

    Em comunicado, o Banco de Portugal adianta que está a acontecer uma busca da Polícia Judiciária na sua sede e que está a ser prestada toda a colaboração.