Israel e Irão em "guerra". O que já se sabe da troca de ataques no Médio Oriente

    Israel atingiu vários alvos no Irão, que já respondeu com centenas de drones.

    Ainda era de noite em Teerão, capital do Irão, e já se ouviam sirenes e explosões. Dezenas de alvos militares e nucleares são atingidos por ataques israelitas, entre os quais a central de enriquecimento nuclear de Natanz. A Agência Internacional de Energia Atómica veio, no entanto, garantir que “os níveis de radiação não aumentaram”.

    A ofensiva israelita resultou na morte de Hossein Salami, comandante-chefe da Guarda Revolucionária do Irão e o primeiro-ministro de Israel garante que a operação aérea "vai continuar durante os dias que forem necessários".

    Benjamin Netanyahu acrescenta que o objetivo é interromper o programa de enriquecimento nuclear iraniano.

    O filme em áudio de uma manhã de ataques no Médio Oriente

    Os Estados Unidos, através do chefe da diplomacia, Marco Rubio, apressaram-se a garantir que não estão diretamente envolvidos nos ataques, mas revelaram que Washington foi previamente informado por Israel sobre a operação.

    Entretanto, Donald Trump desafiou o Irão a chegar a um acordo nuclear, avisando que Israel planeia ataques “ainda mais brutais”. O presidente norte-americano já se afirmou pronto para se defender e proteger Israel.

    A resposta

    Da parte do Irão, o líder supremo promete a Telavive um destino "amargo e doloroso", nomeia um novo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e um novo chefe da Guarda Revolucionária e o regime começa a retaliar. 

    O Presidente do país também condena o que diz ser um ataque "selvagem e criminoso”, e promete “uma resposta poderosa e legítima” de Teerão que fará com que “o inimigo se arrependa desta ação estúpida”.

    Uma centena de drones são lançados contra Israel, que tenta intercetá-los. 

    O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros considera que o que Israel fez é uma "declaração de guerra contra a República Islâmica do Irão" por parte do "regime mais terrorista do mundo", que já ultrapassou "todas as linhas vermelhas".

    Pedidos de contenção

    No plano internacional, surgem apelos de máxima contenção para Israel e Irão, desde logo por parte dos secretários-gerais da ONU e da NATO.

    Em Portugal, o apelo dos Negócios Estrangeiros é pela "máxima contenção".

    “Portugal segue com enorme preocupação o agravamento da situação no Médio Oriente. Exorta à máxima contenção, evitando uma perigosa escalada e reabrindo canais diplomáticos”, afirmou, através das redes sociais, o ministro Paulo Rangel.

    Na mesma publicação, o Governo afirma estar em contacto com as missões diplomáticas portuguesas para “assegurar a proteção dos portugueses na região”.

    Israel já fechou todas as embaixadas que tem no mundo e anunciou que não presta, neste momento, serviços consulares.

    As autoridades do país estão também a divulgar um documento em que pedem aos israelitas no estrangeiro que digam onde estão e aconselha a que sejam discretos, não usem símbolos que os identifiquem nem partilhem planos nas redes sociais.

    Várias companhias áreas suspendem voos na região. Depois da Air France e da Lufthansa, também a Emirates tomou medidas. A maior companhia aérea do Médio Oriente cancelou voos de e para o Iraque, Jordânia, Líbano e Irão.