Jovens estão mais infelizes."Pais devem estar atentos aos sinais de alerta", Ordem dos Psicólogos Portugueses
O sofrimento psicológico aumentou desde a pandemia.
O sofrimento psicológico entre as crianças e jovens aumentou nos últimos anos e a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) alerta que os pais devem estar atentos aos sinais de alerta.
Na semana em que a Polícia Judiciária identificou um jovem de 14 anos, por suspeitas de ter matado a mãe, a bastonária da OPP, Sofia Ramalho, afirma que repetidas situações de sofrimento psicológico podem ter consequências mais graves. “As repetidas situações de sofrimento psicológico agravam aquilo que é a sintomatologia e vai também depois muitas vezes resultar em comportamentos específicos desajustados e que entram já no campo da delinquência juvenil”, alerta.
A bastonária da OPP diz que o aumento do sofrimento psicológico das crianças e jovens tem sido mais visível desde a pandemia. “As queixas, sobretudo aquelas que incluem o sofrimento psicológico, aumentaram de forma significativa nos últimos anos, em particular depois da pandemia. Há áreas como o bem-estar e a satisfação dos jovens com a vida, que afetam bastante aquilo que é a saúde psicológica também dos nossos jovens”.
Sofia Ramalho sublinha que não devemos confundir situações de indisciplina na adolescência com casos em que pode existir um quadro de doença mental. “Não podemos confundir aquilo que são as situações de conflito, de falta de tolerância e indisciplina, com aquelas situações em que há problemas de saúde mental com algum grau de severidade e que motivam alguns comportamentos mais extremados, como é o caso de homicídio ou outros crimes passionais”, afirma a bastonária.
A bastonária diz que situações socioeconómicas mais desfavoráveis ou ambientes escolares menos positivos podem fazer com que os comportamentos de risco aumentem. Para os pais e educadores fica um conselho: estejam atentos aos sinais de alerta dos jovens. E há vários comportamentos que podem indicar que algo não está bem com os jovens. “Situações de irritabilidade ou até de raiva e revolta, com algumas explosões desproporcionadas, o desafio constante às regras, a provocação, a desvalorização dos sentimentos dos outros, uma necessidade grande de dominar ou até de humilhar os outros, ou, por outro lado o próprio isolamento social”.
Sofia Ramalho sublinha que estes comportamentos não devem ser ignorados e os pais e educadores devem procurar a ajuda de um profissional de saúde.
