"Há alguma falta de cultura de segurança" perante o risco sísmico em Portugal
O alerta é do Diretor Nacional de Prevenção e Gestão de Riscos da ANEPC em dia sensibilização através do exercício "A Terra Treme".
A Autoridade Nacional de Emerência e Proteção Civil (ANEPC) realiza esta quarta-feira um exercício nacional de sensibilização para o risco sísmico. "A Terra Treme" começa às 11h05 e durante um minuto é pedido à população para fazer três gestos que podem salvar vidas: Baixar, Proteger e Aguardar.
"O objetivo desta iniciativa é exatamente o de procurar consciencializar a população para um risco que, não se manifestando muito frequentemente, quando vier a ocorrer, terá consequências seguramente bastante gravosas", avisa Carlos Mendes, Diretor Nacional de Prevenção e Gestão de Riscos da ANEPC, em entrevista à nossa redação.
Para já a população ainda "não está está preparada o suficiente", porque "infelizmente, quer em Portugal, quer em outros países, ainda há alguma falta de cultura de segurança e muitas vezes aquele sentimento de tranquilidade de que nunca vai acontecer. Ora, aqui, no caso de um grande sismo, a questão não é se ele vai acontecer alguma vez. Não, ele irá acontecer. Não sabemos é quando é que irá acontecer".
Mas uma coisa é certa, adianta o responsável, "nenhum país à escala global pode dizer que está completamente preparado para um sismo de grande dimensão. É um evento que acontece subitamente e que irá provocar uma disrupção forte na sociedade tal como conhecemos. É isso que nos indica a experiência de países como o Japão, como os Estados Unidos ou mesmo na Europa, como é o caso de Itália."
Ainda assim, Carlos Mendes diz que "os níveis de preparação que o país tem para este tipo de situações são maiores do que eram há cinco, há dez ou há vinte anos atrás. Há mecanismos de resposta, há uma organização claramente definida naquilo que são as entidades intervenientes na resposta a esse tipo de sismo. Mas é importante cada cidadão também ter consciência (...) de que pode vir a ter de desempenhar um papel ativo na resposta a um sismo."
Além do risco sísmico, também o risco de tsunami é grande em Portugal: "nós estamos próximos de uma zona em que, havendo a colisão de três placas tectónicas e podendo haver sismos com origem no Oceano Atlântico, poderá haver movimentação da água do mar e gerar um tsunami. Foi o que sucedeu em 1755 (...). E, portanto, toda a nossa zona costeira acaba por estar exposta ao risco de tsunamis, em particular a faixa costeira algarvia e depois a costa atlântica, digamos, do centro-sul do país, com mais intensidade".
Perante a ocorrência de um sismo que possa gerar um tsunami, "a propagação das ondas até chegar à costa é relativamente rápida, o que nos deixa um horizonte muito curto, de cerca de trinta minutos, no limite, para que se possa fazer uma ação de autossalvamento nas zonas costeiras. Por isso, em caso de tsunami, há um comportamento adequado a adotar, que é o de procurar imediatamente um ponto alto longe da costa para se abrigar", sublinha responsável neste que é também o Dia Mundial de Sensibilização para o Risco de Tsunami.
