Demora no INEM: IGAS abre inquéritos às mortes na Quinta do Conde e em Tavira
Uma mulher e um homem morreram esta quarta-feira depois de esperarem pela chegada de ambulâncias.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde abriu dois processos de inquérito aos casos de utentes do INEM que morreram na Quinta do Conde, concelho de Sesimbra, e em Tavira, enquanto esperam por assistência do INEM.
Em duas notas enviadas à redação, a IGAS refere que está a investigar as duas mortes do ponto de vista da "qualidade dos serviços prestados ao utente na perspetiva da prontidão" dos meios de socorro.
Os dois processos foram abertos esta quinta-feira.
Pelo menos três pessoas morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.
O INEM rejeita responsabilidades e aponta a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais, que prendem as ambulâncias e as impede de seguir para outras ocorrências.
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) já alertou que o sistema de emergência pré-hospitalar é prejudicado pelo funcionamento das urgências hospitalares, defendendo uma solução conjunta para agilizar o socorro e libertar ambulâncias e macas.
Os dois casos mais recentes aconteceram esta quarta-feira na Quinta do Conde, em Sesimbra, e no concelho de Tavira.
De Carcavelos para Sesimbra
No primeiro caso, uma mulher morreu depois de esperar mais de 40 minutos pelos meios de socorro, que não chegaram a tempo.
Os Bombeiros Voluntários de Carcavelos foram chamados às 14h00 para prestar assistência à vítima, que se encontrava em dispneia (dificuldade respiratória) a 35 quilómetros de distância. Quando chegaram ao local, pelas 14h44, a mulher já estava em paragem cardiorrespiratória.
O INEM alegou falta de meios disponíveis para responder em tempo ao pedido de socorro, explicando que a chamada foi recebida pelas 13h43 e classificada no Centro Operacional de Doentes Urgentes (CODU) como P2 – muito urgente, um caso em que o sistema de triagem prevê a chegada do primeiro meio de socorro ao local até 18 minutos.
Uma hora em Tavira
O segundo caso aconteceu já ao final do mesmo dia, quando um homem de 68 anos morreu, depois de ter ligado para o INEM e de os meios apenas terem chegado mais de uma hora depois, segundo a família.
A primeira ambulância foi acionada pelas 18h42.
Para o local foram igualmente enviados a viatura de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Tavira, acionada pelas 18h49, uma unidade de apoio psicológico do INEM e a polícia.
Três horas no Seixal
Antes, na terça-feira, morreu um homem de 78 anos na Aldeia de Paio Pires, no Seixal, depois de ter ligado inicialmente ao INEM pelas 11h20, num caso classificado como Prioridade 3 (resposta em 60 minutos) e onde apenas chegou a viatura médica quase três horas depois.
Em declarações aos jornalistas, o presidente do INEM, Luis Cabral, rejeitou responsabilidades e assegurou que foi ativado em 15 minutos o socorro, mas não havia ambulâncias disponíveis na margem Sul para dar resposta.
Sublinhou a “limitação muito significativa de ambulâncias, principalmente na margem sul, por via da retenção dessas ambulâncias nas unidades de saúde”.
À Lusa, o presidente dos Bombeiros do Seixal, disse que a corporação mais próxima do socorro ao doente apenas recebeu uma chamada do Centro Operacional de Doente Urgentes às 13h15 a solicitar ambulância, sem especificar a ocorrência nem o local.
O INEM já abriu uma auditoria interna, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) já está a investigar o caso e o Ministério Público também abriu um inquérito e determinou a realização de autópsia médico-legal.

