Álbum da Semana: "Dare" - Human League
Ouça este álbum, do lado A ao lado B, de domingo para segunda à noite, entre as 00h-01h.
Álbum da Semana com Sandra Ferreira
“Dare” - Human League
Dare: O álbum que reinventou os Human League (e a synth-pop)
Esta semana vamos ouvir um álbum que nos leva aos sintetizadores. Saiu em Outubro de 1981 e trazia o futuro da música pop daquela década.
No final de 1980, Philip Oakey estava com um problema sério, tinha uma digressão marcada e um álbum para gravar com sua banda, os Human League… só que a banda já não existia. Os membros fundadores, Martyn Ware e Ian Craig Marsh, que eram considerados o verdadeiro cérebro musical do grupo, tinham saído por desavenças criativas, deixando Oakey apenas com o nome da banda e um único aliado, Philip Adrian Wright, cuja principal função era projetar slides e imagens nos concertos. Resumindo, os Human League eram agora apenas um cantor com um penteado estiloso, um Vjing e muita pressão da editora.
A arte de improvisar
Se não se pode contar com o passado, talvez seja melhor procurar no futuro. Inspirado pelo álbum que andava a ouvir o “Off The Wall” de Michael Jackson, Philip Oakey queria adicionar vozes que trouxessem brilho e leveza às músicas.
E foi assim que, numa noite no clube Crazy Daisy, uma famosa discoteca em Sheffield, Philip encontrou as suas estrelas improváveis: Joanne Catherall e Susan Ann Sulley. Eram duas adolescentes, ainda no secundário, que dançavam de forma despreocupada na discoteca. Elas não eram cantoras profissionais nem bailarinas, mas tinham atitude e carisma suficientes – Oakey percebeu que era isso o que faltava ao grupo. Sem hesitar, convidou-as para se juntarem à banda. Um detalhe curioso? Elas já tinham bilhetes para um concerto dos Human League na mesma digressão para a qual estavam a ser contratadas para cantar. Que sonho!
Com a nova formação definida, faltava o mais importante: a música
A editora Virgin Records sabia que Philip Oakey precisava de ajuda para transformar esta nova versão dos Human League num sucesso. Para isso, enviaram o produtor Martin Rushent para refinar o material que estava a ser criado. Quando ele chegou, a banda estava a experimentar ideias em sintetizadores sem um rumo claro.
O produtor Rushent pegou nas ideias de Philip Oakey e Ian Burden e potenciou-as com uso avançado de programação eletrônica e técnicas de estúdio inovadoras. Deu-lhes o que faltava: pop orelhuda e sofisticada.
O resultado? O melhor álbum dos Human League! Tornaram-se famosos no mundo inteiro. Que grande reviravolta para Philip Oakey!
Esta são as 5 faixas que definiram “Dare”
1. Don't You Want Me
O maior sucesso do álbum e, possivelmente, um dos maiores hinos da música pop dos anos 80. Curiosamente, Oakey não queria que fosse lançada como single – acreditava que não era forte o suficiente. Felizmente, a editora pensava o contrário.
2. The Sound of the Crowd
A faixa que iniciou a nova era dos Human League. Com sintetizadores marcantes e um groove hipnótico, esta foi a primeira música do novo grupo a entrar no Top 20 do Reino Unido e provou que Philip Oakey ainda tinha um futuro na música.
3. Love Action (I Believe in Love)
A batida eletrónica e a estrutura dinâmica fazem dela um dos momentos altos deste álbum. Tão altos que até George Michael a usou para o tema “Shoot The Dog” de 2004.
4. Open Your Heart
O que dizer desta música? É melódica, é intensa, expansiva. Adoro os teclados que ficam na cabeça. E o vídeo? Que pérola!
5. The Things That Dreams Are Made Of
A melhor forma de entender o espírito dos anos 80. A letra é praticamente uma lista de desejos da época: viajar para lugares exóticos, conhecer celebridades, ter o melhor da vida - não muito diferente dos desejos atuais, pois não?
Há quem diga que este disco representa o nascimento da synth-pop moderna
Quando foi lançado em outubro de 1981, Dare foi um fenómeno. Com produção impecável, os sintetizadores cristalinos e uma abordagem visual excêntrica, o álbum ajudou a definir o que seria a música pop nos anos 80.
Quarenta e quatro anos depois, continua a ser um álbum influente. A synth-pop que dominou os anos 80 – e que voltou nos anos 2000 – deve muito ao que foi feito aqui.
Se ainda não mergulhou neste clássico, coloque os auscultadores, vista o seu melhor look dos anos 80 e ouça este álbum que, mesmo passado tanto tempo, continua a soar futurista.