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Álbum da Semana - 'Zenyatta Mondatta' dos Police

Ouça este álbum, do lado A ao lado B, de domingo para segunda à noite, entre as 00h-01h.

Álbum da Semana - 'Zenyatta Mondatta' dos Police

Álbum da Semana com Sandra Ferreira

Zenyatta Mondatta - The Police

Para começar o nome:  uma espécie de trocadilho sonoro inventado por Sting, Andy Summers e Stewart Copeland, numa tentativa de encontrar algo que fosse enigmático. E funcionou, mesmo que os próprios The Police nunca tenham dado uma explicação coerente sobre ele nem sobre os seus antecessores: Outlandos d'Amour (1978) e Reggatta de Blanc (1979).  

Gravar o álbum foi uma corrida contra o tempo, mas essa pressão acabou por ser uma alavanca criativa para o trio.  

Lançado em 1980, Zenyatta Mondatta é o terceiro álbum de estúdio dos The Police, e talvez o mais ambicioso da banda até então. Escrito em plena segunda turnê mundial, o álbum foi gravado em apenas quatro semanas. O baterista Stewart Copeland falou sobre essa pressão: “Tínhamos mordido mais do que podíamos mastigar. Terminamos o álbum às 4 da manhã no dia em que começaríamos uma turnê mundial. Fomos dormir algumas horas e depois viajamos para a Bélgica para o primeiro concerto".

A gravação de Zenyatta Mondatta trouxe vários desafios logísticos. A banda preferia gravar em Inglaterra nos estúdios Surrey Sound, onde gravaram os dois primeiros álbuns, mas questões fiscais forçaram-nos a gravar na Holanda, nos Wisseloord Studios.   

Mantiveram Nigel Gray como coprodutor, que desempenhou um papel fundamental na produção dos primeiros álbuns. Gray negociou uma taxa de 25.000 libras, o que elevou o orçamento total para 35.000 libras, cerca de 40 mil euros — ainda barato para uma banda que, naquele momento, já era um sucesso global. 

O resultado desse esforço foi recompensado com dois prêmios Grammy em 1981: Melhor Performance de Rock Instrumental pela faixa "Behind My Camel" e Melhor Performance de Rock por um Duo ou Grupo com Vocal por "Don't Stand So Close to Me".  

Lado A: 

O álbum começa com o clássico "Don't Stand So Close To Me", um pseudo-reggae que fala sobre a tensão entre um professor e sua aluna, com referência a Lolita , de Vladimir Nabokov. Este single alcançou o topo das tabelas britânicas em 1980.  

"Driven To Tears" traz uma crítica social à pobreza, seguida por "When The World Is Running Down”, “You Make The Best Of What's Still Around", uma faixa com guitarras otimistas de Andy Summers, "Canary In A Coalmine" é um ska divertido, enquanto "Voices Inside My Head" mostra a transição da banda para a new wave. 

Lado B: 

Começa com o hit "De Do Do Do, De Da Da Da". A instrumental "Behind My Camel", escrita por Summers e rejeitada por Sting, ganhou um Grammy.  

"Man In A Suitcase" e "Shadows In The Rain" mantêm o tom leve do álbum, enquanto "The Other Way Of Stopping", mais uma instrumental de Copeland, encerra o disco com energia. 

TOP 5

1.

"Don't Stand So Close To Me"

Um pseudo-reggae que fala sobre a tensão entre um professor e sua aluna, com referência a Lolita , de Vladimir Nabokov. Este single alcançou o primeiro lugar do top britânico em 1980 e recebeu um Grammy de Melhor Performance de Rock em grupo!    

2.

"De Do Do Do, De Da Da Da"

Na época, a música foi criticada por parecer uma "conversa de bebé", mas Sting defendeu a faixa como uma reflexão sobre a natureza da comunicação. Antes de achar os “ De do do do da” da música idiota, prestem atenção à letra da canção. Menos é mais. 

3.

"Canary In A Coalmine"

Contagiante! É um ska divertido que nos põe a mexer.  

4. 

"Driven to Tears"

É uma das faixas mais poderosas do álbum. A guitarra de Andy Summers traz uma intensidade sombria à faixa, enquanto a bateria de Stewart Copeland mantém o ritmo enérgico, criando uma tensão que complementa perfeitamente a temática da música. Os Pearl Jam já tocaram esta música várias vezes nos concertos. Em 2016 Sting esteve em palco com a banda no Madison Square Garden em Nova Iorque. Que momento!  

5.

"Behind My Camel"

Esta é uma daquelas músicas que nos leva para outra dimensão, o Andy Summers é muito bom a levar-nos para lugares bonitos. Mas diz-se que o Sting a odiava tanto que queimou as gravações! E, ironicamente, foi a mesma música que ganhou o Grammy de melhor instrumental de rock!