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Agência Lusa
19 junho 2024, 09:28
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Kiwi usado para tratar efeitos secundários da quimioterapia

Kiwi usado para tratar efeitos secundários da quimioterapia
Agência Lusa
19 junho 2024, 09:28
Investigadores do ISEP desenvolveram um método inovador de uso oral para administrar em doentes oncológicos.

 Investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) desenvolveram um “método inovador” de uso oral que, feito a partir do kiwi, permite tratar os efeitos secundários provocados pela quimioterapia e radioterapia em doentes oncológicos, foi hoje revelado.

O projeto, intitulado Kiwi4Health, pretende "trazer alívio a milhares de doentes oncológicos" e "revolucionar o tratamento" da Mucosite Oral, complicação associada aos tratamentos de quimioterapia citotóxica e radioterapia, revela o ISEP em comunicado.

Caracterizada por lesões eritematosas e ulcerativas na mucosa oral, a Mucosite Oral causa dor intensa.

Atualmente, os tratamentos são de curta duração e requerem frequentemente o uso de analgésicos, "proporcionando apenas um alívio temporário".

"Estima-se que entre 40 a 80% dos doentes submetidos a quimioterapia convencional e quase todos os que recorrem a radioterapia sofrem desta condição muitas vezes incapacitante", indica.

Investigações mais recentes apontaram para o potencial benéfico dos polifenóis presentes na fruta, especialmente no babykiwi, para o tratamento da Mucosite Oral.

Aproveitando esses avanços, os investigadores do ISEP desenvolveram "um método inovador para a criação de um filme bucal utilizando compostos bioativos extraídos dos subprodutos do cultivo de babykiwis".

Citada no comunicado, a investigadora Francisca Rodrigues, afirma que o processo envolve técnicas de extração verde, utilizando água e compostos bioativos encapsulados, resultando “num produto que pode ser facilmente aplicado na mucosa oral, proporcionando alívio prolongado e eficaz”.

"Os ensaios ‘in vitro’ em modelos bucais, acoplados aos ensaios ‘in vivo’ em animais que realizamos já com o extrato, são muito promissores, indicando uma nova esperança para os pacientes que sofrem desta dolorosa condição", indica a investigadora.

O desenvolvimento deste método representa uma “abordagem positiva na prevenção e tratamento dos efeitos secundários” da quimioterapia e radioterapia, “destacando-se pela utilização de componentes naturais e sustentáveis”.

"O filme bucal demonstrou ter uma rápida capacidade de dissolução e permitindo a transferência dos compostos", adianta a investigadora.

Financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o projeto envolve investigadores da REQUIMTE e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, tendo já um parceiro interessado na comercialização do filme muco adesivo.